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Projeto leva maior proteção e cuidados a internas gestantes e mães recém-nascidos

Por Redação em 30/07/2020 às 10:47:43
Livre Gestar-Maternar tem objetivo de prover saúde emocional e física para detentas - Foto: Agepen

Livre Gestar-Maternar tem objetivo de prover saúde emocional e física para detentas - Foto: Agepen

Com foco em desenvolver estratégia de cuidado e aten√ß√£o à saúde das custodiadas gestantes ou com beb√™s recém-nascidos, o Estabelecimento Penal Feminino "Irm√£ Irma Zorzi" (EPFIIZ) desenvolve, desde o início deste ano, o projeto "Livre Gestar-Maternar".

Com o apoio e incentivo da diretora da unidade penal, Mari Jane Boleti Carrilho, a iniciativa é organizada e coordenada pelas psicólogas do presídio Liléia Souza Leite e Maristela Leite Niz Ribeiro, e busca promover pr√°ticas vi√°veis, sempre norteadas pelo cumprimento humanizado da pena. Os trabalhos envolvem desde quest√Ķes de saúde e assist√™ncia jurídica, ao estímulo da autoestima nesse período t√£o complexo para a mulher.

Todas as reeducandas gr√°vidas recebem acompanhamento de pré-natal na enfermaria da unidade, realizado pelo enfermeiro Luiz Henrique Teles Fernandes. Em casos de gesta√ß√£o classificada como Alto Risco é solicitado o encaminhamento para atendimentos com especialistas via SISREG/Sesau.

Uma das medidas adotadas pelo projeto foi o refor√ßo no oferecimento de frutas e lanches para internas gr√°vidas e puérperas, por meio da empresa terceirizada respons√°vel pela alimenta√ß√£o servida no estabelecimento prisional.

O Setor de Manuten√ß√£o do presídio também realiza, regularmente, benfeitorias no alojamento das Gestantes, de acordo com as necessidades, sendo instalado ventilador, chuveiro elétrico, manuten√ß√£o do tanque e dedetiza√ß√£o.

Mensalmente, s√£o distribuídos kits de lanches destinados às gestantes e m√£es com beb√™s na unidade, por meio de parceria entre a Ag√™ncia Estadual de Administra√ß√£o do Sistema Penitenci√°rio (Agepen) e a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assist√™ncia Social e Trabalho (Sedhast), com oferecimento de leite integral, bolachas, ch√° mate e produtos de higiene para o beb√™.

Ch√° de fraldas foi ofertado às custodiadas atendidas pelo "Livre Gestar-Maternar"

Antes do início da Pandemia da Covid-19, que limitou as atividades em grupo, as reeducandas inclusas participaram também de a√ß√Ķes religiosas promovidas pela Associa√ß√£o Ministério Salva Vida, com doa√ß√£o de bíblias e um ch√° de fraldas às custodiadas. J√° a Igreja Universal ofereceu um café da manh√£ especial, com leitura bíblica e palavras de b√™n√ß√£os. A Pastoral Carcer√°ria realizou encontros mensais com orienta√ß√Ķes sobre o desenvolvimento gestacional do beb√™, além de trabalhar a espiritualidade das mulheres em situa√ß√£o de pris√£o.

Garantindo aten√ß√£o à saúde bucal, as detentas receberam como profilaxia a aplica√ß√£o de Flúor pelo odontólogo Ricardo da Silva Penteado e a Técnica Esmeralda da Luz Ramos. As internas ganharam um kit para manuten√ß√£o da higiene bucal.

A integra√ß√£o do estabelecimento prisional com a Defensoria Pública manteve a assist√™ncia às gestantes e m√£es com beb√™s desde o início da pandemia, buscando alternativa mais assertiva de garantia aos direitos destas internas. Com isso, sete internas foram beneficiadas, inicialmente, com a pris√£o domiciliar por 90 dias.

Atendimentos jurídicos da Defensoria Pública no início da pandemia

De acordo com a diretora Mari Jane, com a libera√ß√£o das custodiadas, no momento h√° apenas uma interna com beb√™ que frequenta a creche. O local é um ambiente arejado e higienizado com recursos lúdicos e estimulantes para o desenvolvimento da crian√ßa e do cuidar da m√£e, "incentivando o vínculo m√£e-beb√™".

A dirigente também ressalta que o Projeto Livre Gestar-Maternar foi idealizado a partir da escuta qualificada das demandas de atendimento das gestantes/lactantes. "Foi realizado um cronograma de a√ß√Ķes com acompanhamento multiprofissional atentos ao bem-estar físico, mental e social dessas internas diante dos inúmeros desafios da situa√ß√£o de estar gerando uma vida dentro do ambiente prisional", explica.

Respons√°veis pela a√ß√£o, as psicólogas Liléia Souza Leite e Maristela Leite Niz Ribeiro defendem que a condi√ß√£o de priva√ß√£o de liberdade n√£o exclui o dom da mulher de gerar vida, de construir uma maternagem de amor e de esperan√ßa de dias melhores, pois a maioria das internas gestantes e/ou com seus beb√™s sentem culpa de estarem com seus filhos em um ambiente prisional.

Segundo as profissionais, considerando os impactos físicos e psicológicos tanto para a m√£e quanto para o desenvolvimento do beb√™ foi estruturado este projeto Livre Gestar-Maternar que buscou desenvolver estratégias possíveis de acolhimento e humaniza√ß√£o da pena para esse público.

O projeto iniciou em janeiro de 2020 e estimulou também a integra√ß√£o e o trabalho em equipe. "Almejamos que todo o trabalho e a dedica√ß√£o da equipe possa ter contribuído para o desenvolvimento do vínculo m√£e-beb√™", destaca Maristela.

"Agradecemos à diretora Mari Jane, a servidora respons√°vel pela creche, Nair Vilela, todos os servidores do EPFIIZ e os parceiros, que n√£o mediram esfor√ßos para as realiza√ß√Ķes das a√ß√Ķes", finaliza Liléia.

Keila Oliveira, Agepen
Fotos, Agepen

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