Com dedicação e perseverança, reeducandas da capital aprendem a customizar calçados

Por Redação em 20/01/2021 às 07:06:01
Foto: Agepen

Foto: Agepen

Mulheres em situação de prisão estão se aperfeiçoando em técnicas de costura e bordado na oficina implantada no Estabelecimento Penal Feminino "Irmã Irma Zorzi" (EPFIIZ), na capital. Com criatividade e talento, as reeducandas transformam cada alpargata em um calçado exclusivo e personalizado.

O trabalho é resultado da ampliação da iniciativa que vem sendo desenvolvida no Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), h√° mais de um ano.

Com padrões gr√°ficos e cores variadas, os calçados do tipo alpargatas aliam bom gosto e conforto, e também representam uma oportunidade de remir pena e conquistar remuneração aos 17 custodiados.

As alpargatas são customizadas por 17 reeducandos do IPCG e EPFIIZ, na capital.

Somente no pres√≠dio feminino, seis mulheres se dedicam 6h por dia para caprichar nas peças e entregar um produto de qualidade. "Realizamos um treinamento de duas semanas com as reeducandas, toda a produção é com base em encomendas, entregamos o modelo e todo o material necess√°rio para a confecção", explica a empres√°ria Ana Mattos.

A reeducanda Ana encontrou no bordado uma terapia e uma chance de ocupar a mente

Implantada h√° cerca de tr√™s meses, a nova oficina tem garantido opção de trabalho e renda às mulheres. É o que garante a interna Ana Aparecida Sales, 62 anos, que est√° presa h√° 9 meses e enxerga na ocupação uma terapia.

"Nunca me imaginei costurando, mas gostei bastante e enxergo como uma oportunidade de trabalho l√° fora. Isso ocupa a nossa mente, é muito importante e nos traz um al√≠vio do c√°rcere", desabafa a interna.

Com uma produção média de 2 a 4 pares de alpargatas em ambos pres√≠dios, a empres√°ria comemora e garante que a experi√™ncia com a mão de obra carcer√°ria tem sido gratificante. "O acabamento deles é ótimo, são muito interessados, aplicados, é muito positivo tudo isso, estou realmente bastante encantada", destaca Ana Mattos, dona da empresa Divino Santo.

A ocupação da mão de obra carcer√°ria é coordenada pela Ag√™ncia Estadual de Administração do Sistema Penitenci√°rio (Agepen), por meio da Divisão de Trabalho Prisional. Para esta oportunidade, foi firmada parceria com a empresa Divino Santo, que representa uma das 186 empresas conveniadas que ofertam trabalho a reeducandos em Mato Grosso do Sul.

O trabalho consiste na customização minuciosa de alpargatas com pedrarias, lantejoulas e bordados. A partir de modelos impressos, as peças vão se transformando de simples alpargatas em belas peças personalizadas, em diferentes formatos, cores e desenhos.

Marta leva experiência e aprendizado em cada oportunidade de trabalho

Presa h√° oito anos, a interna Marta da Silva Matos também atua na oficina e garante que tudo que faz leva como aprendizado. "Aprendi a costurar aqui, para mim o trabalho é importante porque faz a gente enxergar que não precisamos voltar a delinquir, que existe um futuro melhor l√° fora; quando eu sair daqui vou levar bastante experi√™ncia", revela a interna que sonha em abrir seu próprio salão de beleza quando conquistar a liberdade.

Além dos reeducandos, a empresa também conta com duas pessoas externas. "Esse projeto nos traz uma grande satisfação em ver a nossa marca sendo conhecida no Brasil inteiro e quando comentamos sobre o projeto, as pessoas t√™m um encantamento e isso agrega muito, e cada vez mais, a qualidade do produto est√° se firmando e com uma excel√™ncia maravilhosa. Nossa intenção é contratar novos trabalhadores para o próximo ano", afirma Ana que também é decoradora e formada em Moda.

O trabalho tem dado tão certo, que um interno do IPCG foi contratado como supervisor para monitorar toda a produção, o acabamento das peças, de forma a evitar o desperd√≠cio.

Além da remuneração, os reeducandos recebem remição de um dia na pena a cada tr√™s trabalhados, conforme estabelecido na Lei de Execução Penal.

Keila de Oliveira, Agepen

Fonte: Governo - MS

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