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Morre o coronel Adib Massad, o comandante que honrou a farda da Polícia Militar

"Foi um exemplo como militar e como cidad√£o", disse Reinaldo Azambuja.

Por Redação em 03/03/2021 às 21:45:05

Faleceu na tarde desta quarta-feira (03), em Campo Grande, o lendário coronel da reserva Adib Massad, aos 91 anos. O governador Reinaldo Azambuja lamentou sua morte, afirmando que o ex-militar deixa um legado de honradez e dedicação ao bem-estar da sociedade, a quem sempre serviu.

"Foi um exemplo como militar e como cidad√£o", disse Reinaldo Azambuja.

Nascido em C√°ceres (MT), em 22 de abril de 1929, de origem √°rabe, o coronel Adib Massad foi um dos policiais militares mais respeitados em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em seus mais de 31 anos de carreira.

Tornou-se uma lenda viva ao restaurar a ordem p√ļblica e reduzir a criminalidade na regi√£o de fronteira com o Paraguai no comando do antigo GOF (Grupo de Opera√ß√Ķes de Fronteira), hoje DOF (Departamento de Opera√ß√Ķes de Fronteira), em Dourados, na década de 1990.

De poucas palavras, reservado, comedido, humilde e de car√°ter inabal√°vel, o Coronel Dib, como era chamado, marcou sua trajetória policial pela coragem, determina√ß√£o, disciplina e lideran√ßa. Para seus subordinados, foi mais além: um homem enérgico, porém justo, e operacional.

Iniciou carreira como oficial da Pol√≠cia Militar de Mato Grosso em 1953, assumindo, tr√™s anos depois, o cargo de delegado na cidade natal, C√°ceres. Mesma fun√ß√£o desempenhada em Poxoréu, Rondonópolis e Dom Aquino, no Norte o Estado, e em Jardim, Parana√≠ba e Porto Murtinho, ao Sul.

Águia da Fronteira

Foi delegado regional em Dourados e delegado de Roubos e Furtos em Cuiab√°. Em 1966, comandou o 1¬ļ Batalh√£o da Pol√≠cia Militar de Campo Grande e, em 1975, a 4¬™ Companhia da Pol√≠cia Militar em Ponta Por√£. Foi titular da delegacia especializada na √°rea de tóxicos, entorpecentes e crimes contra o patrimônio, entre 1979/1980.

Depois de chefiar o Estado Maior da PM com a patente de coronel, em 1987, ganhou notoriedade nacional ao comandar o GOE (Grupo de Opera√ß√Ķes Especiais) e o GOF (Grupo de Opera√ß√Ķes de Fronteira, entre 1988/1995.

No livro biogr√°fico "Coronel Adib – A História", de 2007, de autoria do escritor cearense Guimar√£es Rocha, também ex-policial militar, Massad conta que o GOF era uma corpora√ß√£o com apenas 50 homens e cinco viaturas, mas, apesar das dificuldades, teve uma atua√ß√£o √≠mpar no combate à criminalidade.

"Todos respeitavam o GOF", diz ele. "A ponto de nossas viaturas, ao passarem pela segunda vez numa altura qualquer da cidade (Dourados), j√° n√£o encontrarem as mesmas pessoas avistadas. Mesmo o cidad√£o comum sabia que a viatura indicava um lembrete para endireitar os passos (...)".

Proteção divina

Integrado por policiais militares e civis, O GOF ficou conhecido como a "Águia da Fronteira". Em 1993, a sociedade organizada e Dourados, em homenagem ao Coronel Dib e seus comandados, espalhou outdoors pela cidade com os seguintes dizeres: "nas garras desta √°guia repousa a tranquilidade".

Ao deixar a corpora√ß√£o, Adib Massad foi eleito vereador no munic√≠pio com uma vota√ß√£o histórica, em 1996, um reconhecimento p√ļblico ao trabalho que desempenhou no combate ao narcotr√°fico, descaminho e roubos de ve√≠culos, que era frequente na época.

Quando lhe é feita uma pergunta, durante sua narrativa no livro que descreve sua trajetória – "o senhor acha que recebeu alguma ilumina√ß√£o de Deus?" -, esse homem sem rodeios e de fundamentos espirituais, responde:

"Considero-me feliz, protegido muito além do que mere√ßo, porque só a previd√™ncia divina para justificar o fato de eu estar vivo aqui, ainda hoje..."

Subsecretaria de Comunicação, Subcom

Fonte: Portal MS Gov

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