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China estuda formas de aumentar a efic√°cia de suas vacinas contra a Covid-19

Por Redação em 11/04/2021 às 13:20:31

 

A reportagem procurou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, sócio do laboratório chinês Sinovac no desenvolvimento da Coronavac, para comentar o caso, mas ainda n√£o obteve resposta.

A admiss√£o dever√° causar polêmica, mas n√£o implica uma condena√ß√£o das vacinas chinesas. Ao contr√°rio: todas tiveram até aqui efic√°cia superior a 50%, o necess√°rio para utiliza√ß√£o em campanhas de imuniza√ß√£o, e alta prote√ß√£o contra casos sintom√°ticos da Covid-19.

As duas principais vacinas do país, a Coronavac e a Sinopharm, utilizam vírus inativados para estimular a resposta imune nos inoculados.

É uma tecnologia mais antiga e confi√°vel, usada h√° décadas. Nos estudos em curso no mundo, ainda preliminares, ela mostrou a cria√ß√£o de uma taxa de anticorpos protetivos menor do que o atingido por novas técnicas.

As propaladas vacinas que usam RNA mensageiro para levar a proteína de liga√ß√£o do novo coronavírus ao corpo do inoculado para gerar resposta imune, com as da Pfizer/BioNTech e da Moderna, têm efic√°cias relatadas de mais de 95%.

No estudo de fase 3 conduzido pelo Instituto Butantan, que ajudou a desenvolver a Coronavac e ir√° produzi-la localmente até o fim do ano, o f√°rmaco atingiu 50,38% de efic√°cia global.

Mas preveniu 78% de casos leves e 100% de moderados e graves -embora no momento da divulga√ß√£o, em janeiro, esse último dado fosse considerado estatisticamente insuficiente.

H√° críticas também à falta de publica√ß√£o de estudos de fase 3, a última antes da aprova√ß√£o, em periódicos científicos. Nos Emirados √Ārabes Unidos, dados iniciais falavam em efic√°cia de 86% da Sinopharm, mas o país est√° testando a aplica√ß√£o de uma terceira dose dela para aumentar sua a√ß√£o.

As compara√ß√Ķes diretas servem a debates políticos, em especial no ambiente de Guerra Fria 2.0 vigente entre Estados Unidos e China, mas s√£o complicadas do ponto de vista científico. Cada ensaio com vacinas tem características próprias, com grupos populacionais diferentes e metodologias específicas.

Estudo preliminar feito pelo grupo de pesquisadores Vebra Covid-19 com 67 mil trabalhadores de saúde de Manaus mostrou que a Coronavac teve eficiência de 50% contra a virulenta variante P.1, e isso após 14 dias só da primeira dose.

No Chile, foi apontada uma diminui√ß√£o da interna√ß√£o e dos óbitos de pessoas com mais de 70 anos. Por outro lado, o país enfrenta um repique de casos e pesquisadores especulam que isso possa ter a ver com menor eficiência ante novas variantes do vírus.

Tudo isso é natural. A pandemia tem pouco mais de um ano, e j√° h√° campanhas de vacina√ß√£o na maioria dos países do mundo. Tal velocidade traz ajustes obrigatórios ao longo do caminho.

 

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Um caso exemplar é o da vacina da AstraZeneca/Universidade de Oxford, a outra em uso no Brasil. Com milh√Ķes de vacinados, surgiram relatos de casos raros de problemas de coagula√ß√£o, alguns fatais.

Isso levou países europeus a suspenderem a distribui√ß√£o do imunizante até que as autoridades de saúde chegaram à conclus√£o de que os riscos s√£o muito pequenos ante as vantagens -basta ler qualquer bula de remédio para notar que isso é norma.

O próprio Butantan tratou de desenvolver uma nova vacina, a ButanVac, feita em parceria com um consórcio internacional.

O instituto prevê que ela, que aguarda autoriza√ß√£o para testes clínicos em seres humanos, ser√° mais eficiente contra a Covid-19 do que a Coronavac por ser de uma segunda gera√ß√£o de imunizantes.

A discuss√£o sobre intervalos de dosagem ocorre em todo o mundo, e o Reino Unido testa a mistura da vacina de Oxford em uma dose com o imunizante russo Sputnik V em outra. O f√°rmaco europeu usa um adenovírus que causa gripe em macacos como vetor e o da Rússia, um adenovírus humano.

De toda maneira, a fala de Gao Fu é bastante inusual, ainda mais vinda de uma autoridade chinesa. O país tem apostado fortemente na diplomacia da vacina, firmando acordos diversos de fornecimento de seus imunizantes -a Coronavac é a principal vacina em uso no Brasil, Turquia, Indonésia e Chile, por exemplo.

Apesar dessa ofensiva, com 40 milh√Ķes de vacinas exportadas ou doadas a 20 países, Pequim passou a priorizar mais recentemente seu público interno, o que levou a preocupa√ß√Ķes sobre a exporta√ß√£o de suas vacinas.

O caso brasileiro é diferente porque para c√° os chineses vendem o insumo para a produ√ß√£o local no Butantan, n√£o as doses prontas, e uma f√°brica local est√° em constru√ß√£o para dar independência ao país.

O instituto paulista entregou 38,5 milh√Ķes das 46 milh√Ķes de doses encomendadas pelo Ministério da Saúde até abril. Sete em cada dez vacinados no Brasil receberam a Coronavac.

A China j√° vacinou, segundo dados do site Nosso Mundo em Dados, ligado à Universidade de Oxford, 161,1 milh√Ķes de pessoas.

O país n√£o informa quantos receberam duas inocula√ß√Ķes, mas como é o mais populoso do mundo, isso d√° apenas 12 doses por 100 habitantes -percentual semelhante ao do Brasil. Israel lidera o ranking mundial, com 115 doses por 100 habitantes.

Fonte: Banda B

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