Governo de MS se mobiliza para minimizar impactos de seca na bacia do Paraguai

Mato Grosso do Sul prepara uma s√©rie de medidas para enfrentar a forte seca na região da bacia hidrogr√°fica do Paraguai

Por Redação em 15/05/2024 às 06:03:27
Foto: Governo MS

Foto: Governo MS

Mato Grosso do Sul prepara uma série de medidas para enfrentar a forte seca na região da bacia hidrogr√°fica do Paraguai - que tem o rio Paraguai como principal ativo. Em reunião nesta semana a ANA (Ag√™ncia Nacional de Águas e Saneamento B√°sico), ficou definido que resolução federal nos próximos dias vai declarar Situação Cr√≠tica de Escassez Quantitativa dos Recursos H√≠dricos na Região Hidrogr√°fica do Paraguai. A vig√™ncia da situação vai até 31 de outubro, podendo ser prorrogada.

Tal declaração oficial impõe uma série de condições especiais para o uso da √°gua nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Os diretores da ANA justificam a medida tendo em vista o cen√°rio observado na região e com base em pareceres de instituições p√ļblicas como o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e o SGB (Serviço Geológico do Brasil).

"A situação é preocupante e o Governo de Mato Grosso do Sul vem acompanhando junto com o Governo de Mato Grosso e a Ag√™ncia Nacional de Águas o comportamento dos rios e a frequ√™ncia das chuvas que estão abaixo da média histórica desde ano passado, o que fez com que não tivéssemos cheia no Pantanal nesse ano", pondera o secret√°rio de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ci√™ncia, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, que participou da reunião de forma remota.

Foi criada pela ANA uma Sala de Crise para acompanhar a situação da bacia do rio Paraguai, da qual participam diversos órgãos p√ļblicos e instituições que atuam na √°rea, inclusive o Cemtec/MS (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) e o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).

No dia 7 de maio, a Sala de Crise se reuniu e ficou decidido que o colegiado indicaria à ANA a necessidade de declarar situação de escassez h√≠drica, após avaliação dos dados hidrológicos da região. O n√≠vel d"√°gua do rio Paraguai, em abril de deste ano, atingiu o pior valor histórico observado em algumas estações de monitoramento ao longo de sua calha principal.

A situação desfavor√°vel pode resultar em impactos aos usos da √°gua, sobretudo em captações para abastecimento de √°gua, especialmente em Cuiab√° (MT) e Corumb√°, além de dificultar e até inviabilizar a navegação, reduzir o potencial do aproveitamento hidrelétrico a fio d"√°gua e comprometer atividades de pesca, turismo e lazer.

As captações outorgadas representam menos de 30% de comprometimento da vazão de refer√™ncia, portanto o problema não estaria na quantidade de √°gua retirada dos rios. Mas, em função da redução dos n√≠veis dos rios, é poss√≠vel que haja impacto nas estruturas de captação dessa √°gua para abastecimento urbano, demandando a instalação de equipamentos adicionais.

O superintendente da ANA, Patrick Tadeu Thomas, é quem explica essa situação durante apresentação do relatório, e acrescenta ainda que as concession√°rias, nesse caso, poderiam até mesmo criar taxas extras para bancar os custos adicionais. Ele citou o caso da cidade de Corumb√°, com 102 mil habitantes, que se abastece do rio Paraguai.

A Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) instalou uma bomba para captar 632 litros de √°gua por segundo do rio. "Em 2021, a estrutura de captação ficou submersa numa lâmina d"√°gua de apenas 30 cent√≠metros. Nesse ano estamos prevendo que o n√≠vel do rio fique mais baixo e a captação por essa bomba seja interrompida", afirmou Thomas.

As estratégias que devem ser adotadas a partir da declaração de escassez h√≠drica vão desde a estratégia de ajustes operacionais em reservatórios até melhoria do uso da √°gua para setores de agricultura e ind√ļstria. "É um esforço em conjunto que requer a colaboração de todos os envolvidos para garantir a sustentabilidade da √°gua naquela bacia", ponderou Verruck.

Na próxima semana, o governador Eduardo Riedel vai reunir representantes de todas as secretarias e a Semadesc far√° uma apresentação da situação hidrológica da região, quando então serão definidas ações de segurança h√≠drica, sa√ļde, segurança, atendimento aos povos tradicionais e todas as provid√™ncias necess√°rias para enfrentar a situação.

"H√° um foco muito forte no monitoramento cont√≠nuo. Estamos utilizando estações de monitoramento para acompanhar em tempo real os n√≠veis de rios e as condições clim√°ticas, o que é fundamental para se antecipar e responder às mudanças que estão acontecendo na região. Além disso, a Sala de Crise serve para coordenar ações entre diferentes órgãos e garantir respostas r√°pidas e eficazes quando a situação evoluir", enfatiza o gerente de Recursos H√≠dricos do Imasul, Leonardo Sampaio.

A Região Hidrogr√°fica Paraguai ocupa 4,3% do território brasileiro, abrangendo parte de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, o que inclui a maior parte do Pantanal=, a maior √°rea √ļmida cont√≠nua do planeta, e se estende por √°reas da Bol√≠via e do Paraguai. Dentre seus principais cursos d"√°gua, destacam-se os rios Paraguai, Taquari, São Lourenço, Cuiab√°, Itiquira, Miranda, Aquidauana, Negro, Apa e Jauru.

Comunicação Semadesc
Foto de capa: Saul Schramm

Fonte: Agência de Noticias MS

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