Veja quais s√£o os intervalos entre as doses das vacinas contra Covid no Brasil e por que eles s√£o diferentes

Por Redação em 30/07/2021 às 18:55:42

Por isso, um intervalo menor avaliado nos testes pode acabar sendo ampliado sem perda de efic√°cia.

As vacinas contra Covid-19 foram desenvolvidas em todo o mundo em tempo recorde, mas sem perder qualidade em rela√ß√£o aos protocolos de seguran√ßa. Isso foi possível porque, em parte, as plataformas tecnológicas pioneiras estavam sendo desenvolvidas h√° mais de uma década. Além disso, devido à situa√ß√£o de emergência, os desenvolvedores puderam juntar algumas das etapas de ensaios clínicos, como as fases 1 e 2, quando s√£o avaliadas de centenas a poucos milhares de pessoas. A an√°lise da documenta√ß√£o por parte das agências regulatórias para registro também foi acelerada.

Como a maioria dos testes de fase 3 foi feita em cerca de três a seis meses, muitas das fabricantes optaram por um intervalo entre as duas doses de 14 a 28 dias para poder atingir um número mínimo de casos de Covid e completar os estudos mais rapidamente.

Veja abaixo quais s√£o os prazos recomendados pelos fabricantes de cada vacina aprovada para uso emergencial ou definitivo no país e o que dizem os estudos clínicos sobre a sua efic√°cia.

CORONAVAC

Intervalo entre as doses: de 21 a 28 dias

Desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e produzida no país pelo Instituto Butantan, a Coronavac é uma vacina de vírus inativado e sua aplica√ß√£o é indicada com um intervalo igual ou maior de 21 dias entre as duas doses.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Durante o estudo de fase 3 conduzido no país, os pesquisadores do Butantan avaliaram a efic√°cia da vacina em profissionais de saúde com mais de 18 anos com um intervalo de 14 dias. Após a conclus√£o dos estudos, uma an√°lise inicial apontou uma efic√°cia de 50,38% para prote√ß√£o contra casos sintom√°ticos de Covid-19.

Mas, recentemente, cientistas publicaram os resultados do estudo que avaliou um subgrupo de volunt√°rios que recebeu as duas doses com intervalo igual ou maior de 21 dias (ou seja, diferente do utilizado no estudo) e verificaram que a efic√°cia da vacina aumentou para 64%. Assim, o laboratório tem recomendado o intervalo de 21 dias ou 28 dias entre as doses para obter uma efic√°cia maior.

OXFORD/ASTRAZENECA

Intervalo entre as doses: três meses

A vacina produzida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca passou por testes de fase 3 em cerca de 30 mil volunt√°rios em diversos países. Inicialmente, os testes foram desenhados para aplica√ß√£o das duas doses com intervalo de 30 dias entre elas.

Na divulga√ß√£o inicial da efic√°cia do imunizante, os cientistas viram que a vacina tinha efic√°cia maior (90%) em pessoas que receberam uma dose inicial mais baixa seguida por uma segunda dose quatro semanas depois. J√° os participantes que receberam o esquema normal da vacina -ou seja, duas doses completas, com 30 dias de diferen√ßa-, a taxa verificada foi de 62%. Assim, de acordo com a empresa, a efic√°cia seria uma “média” desses dois valores, atingindo, portanto 70%.

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

A AstraZeneca reconduziu os testes e verificou uma efic√°cia maior do imunizante, de cerca de 76%, quando aplicado com três meses (12 semanas) de intervalo entre as doses. Desde ent√£o, esse tem sido o esquema recomendado pela fabricante e utilizado na Uni√£o Europeia, Reino Unido e no Brasil.

Recentemente, especialistas têm defendido antecipar a segunda dose da vacina de 90 para 60 dias, tendo em vista a transmiss√£o comunit√°ria da variante delta no país, confirmada na última semana. Em cinco estados brasileiros (Espírito Santo, Maranh√£o, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Santa Catarina), as secretarias estaduais de saúde decidiram por antecipar esse intervalo, com o principal motivo sendo aumentar a parcela da popula√ß√£o totalmente imunizada e evitar que a popula√ß√£o ultrapasse o prazo de 12 semanas entre as doses.

PFIZER

Intervalo entre as doses: três meses

A farmacêutica Pfizer/BioNTech foi a primeira a anunciar a efic√°cia de uma vacina contra a Covid-19, o que ocorreu após a an√°lise de mais de 44 mil participantes dos estudos de fase 3 em diversos países. E o resultado foi alto: 95%.

Foto: AEN-PR

Nos testes, foram avaliadas a seguran√ßa e capacidade de prote√ß√£o contra a doen√ßa quando utilizadas duas doses com um intervalo de 21 dias entre elas. A alta efic√°cia encontrada se referia ao esquema vacinal completo concluído em três semanas, e essa tem sido a recomenda√ß√£o de uso da vacina.

No entanto, o maior estudo feito até o momento, com mais de 370 mil pessoas no Reino Unido, avaliou a efetividade das vacinas da Oxford e da Pfizer e viu que ambas tiveram efic√°cia muito semelhante, de mais de 90%, quando as doses foram aplicadas em um intervalo de três meses.

Por isso, e com o objetivo de vacinar o maior número de pessoas possível o quanto antes, alguns países têm avaliado usar o intervalo de 12 semanas. A principal evidência que sustenta essa recomenda√ß√£o é a de uma alta taxa de anticorpos no sangue dos vacinados j√° 14 dias após a aplica√ß√£o da primeira dose (92%), o que confere uma boa prote√ß√£o.

Com base nisso, o Ministério da Saúde disse no início de maio que a mesma recomenda√ß√£o deve ser feita no país, de aplica√ß√£o das duas doses com um intervalo de 12 semanas.

Em comunicado oficial no mesmo dia, a Pfizer afirmou que as indica√ß√Ķes sobre regime das doses ficam a critério das autoridades de saúde que podem incluir recomenda√ß√Ķes seguindo os princípios locais de saúde pública. A empresa, porém, refor√ßou que a bula do imunizante, aprovada e registrada pela Anvisa, “preconiza um intervalo entre as doses, preferencialmente, de 21 dias”.

JANSSEN

Vacina de dose única

A vacina da Janssen, bra√ßo farmacêutico da Johnson & Johnson, é a única vacina aprovada para uso emergencial no país que é aplicada em dose única.

Foto: Frederic J. BROWN/AFP

Sua efic√°cia global, obtida a partir de um ensaio clínico com cerca de 20 mil indivíduos nos Estados Unidos, √Āfrica do Sul e países da América Latina, incluindo o Brasil, foi de 66%, com efic√°cia de até 88% contra casos graves de Covid-19.

Fonte: Banda B

Tags:   Saúde
Comunicar erro

Coment√°rios

Stilus outro
Agosto Lilas Sidro