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Governo ainda avalia inclusão de remédios contra Covid aprovados pela Anvisa em rol do SUS

Por Redação em 26/04/2021 às 21:28:54

 

O remdesivir apresentou benefícios na redu√ß√£o da mortalidade e diminui√ß√£o da necessidade de ventila√ß√£o mec√Ęnica, além de redu√ß√£o do tempo de interna√ß√£o.

A Cmed (C√Ęmara de Regula√ß√£o do Mercado de Medicamentos) j√° estabeleceu o pre√ßo m√°ximo a ser praticado pelo fabricante.

O remédio é vendido na quantidade de 100 mg e poder√° custar no m√°ximo entre R$ 2.130,91 e R$ 3.077,29. O valor final vai depender do ICMS (Imposto sobre Circula√ß√£o de Mercadorias e Servi√ßos) de cada estado.

O medicamento foi aprovado pela Anvisa com a dura√ß√£o de tratamento de pelo menos cinco dias. No primeiro dia, a dose é de 200 mg e, no restante, de 100 mg.

J√° o regn-cov2, uma combina√ß√£o dos remédios biológicos casirivimabe e imdevimabe produzida pelas farmacêuticas Roche e Regeneron, ainda n√£o é precificado no país.

Em um contrato do governo americano com o laboratório Regeneron 1,25 milh√£o de doses foram adquiridas no valor de US$ 2,63 bilh√Ķes. L√°, a dose sair√° a US$ 2.100, cerca R$ 11.500.

A dose autorizada nos EUA é de 2.400 mg, mas est√° em estudo a redu√ß√£o da aplica√ß√£o pela metade. Pelo acordo, o governo vai adquirir a dosagem menor. No Brasil, j√° foi aprovada a dosagem única de 1.200 mg.

O tratamento é recomendado para casos leves e moderados da Covid-19 em pessoas que apresentem alto risco de progress√£o da doen√ßa. A terapia com anticorpos monoclonais pode ajudar a evitar a hospitaliza√ß√£o e mortes.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse na semana passada que a Conitec avalia a qualidade científica e a disponibilidade econômica de novos medicamentos para saber se h√° sustentabilidade no SUS. O prazo m√°ximo para o parecer é de 180 dias.

“Esse medicamento pode ser só uma novidade, o que a Conitec ir√° fazer é separar o que é novidade e o que é inova√ß√£o. Inova√ß√£o é o que pode mudar a história natural das doen√ßas, é um medicamento novo e precisamos saber mais.”

O ministério afirmou em nota que trabalha na cria√ß√£o de um protocolo para reunir as evidências científicas dos medicamentos usados no tratamento contra a Covid-19. Essas tecnologias ser√£o submetidas à Conitec para avalia√ß√£o.

Mario Borges Rosa, presidente do ISMP-Brasil (Instituto para Pr√°ticas Seguras no Uso de Medicamentos), avalia que a implementa√ß√£o é difícil no SUS devido ao alto custo e ao tempo que leva para que um remédio possa ser incorporado.

“O medicamento é caro, podendo chegar a US$ 3.000. Ele vai chegar ao país com um pre√ßo elevadíssimo por causa da situa√ß√£o fiscal que temos hoje.”

Jan Carlo Delorenzi, professor de saúde pública e imunologia e diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde Universidade Presbiteriana Mackenzie, concorda com Rosa em rela√ß√£o ao pre√ßo.

Para ele, uma possibilidade é que os medicamentos sejam implementados de forma emergencial enquanto ainda n√£o houver outras op√ß√Ķes no mercado. No entanto, quando alternativas mais baratas surgirem, dever√£o ser substituídos.
“Acho difícil [a incorpora√ß√£o] por causa da crise que estamos vivendo. Mas eu acredito que deveriam ser incorporados para serem usados em casos mais excepcionais.”

Dayani Galato, professora do curso de farm√°cia da Universidade de Brasília, explica que h√° chance de incorpora√ß√£o dos medicamentos, j√° que outros de alto custo s√£o usados na rede pública. A Conitec ir√° avaliar o custo-benefício.

“Os medicamentos aprovados pela Anvisa podem melhorar, mas acredito que n√£o v√£o mudar de forma sistem√°tica a conduta com os pacientes em hospitais. A gente ainda precisa é prevenir a doen√ßa [com medidas sanit√°rias] e aumentar o ritmo de vacina√ß√£o.”

Apesar de os dois medicamentos ainda n√£o estarem disponíveis na rede pública, a farmacêutica Gilead Sciences disse que o remdesivir j√° é usado na rede privada.

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) afirmou que o remdesivir é de cobertura obrigatória pelas operadoras de planos de saúde quando indicado pelo médico para o tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19 durante a interna√ß√£o hospitalar.

“Em rela√ß√£o aos medicamentos casirivimabe e imdevimabe [regn-cov2], a ANS informa que a cobertura pelos planos de saúde n√£o é autom√°tica, tendo em vista as especifica√ß√Ķes de uso, mas sua incorpora√ß√£o em ambiente ambulatorial poder√° ser avaliada”, disse em nota.

Para Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp (Associa√ß√£o Nacional de Hospitais Privados), é importante que os hospitais particulares tenham medicamentos mais modernos.

“Nos hospitais privados a inclus√£o do medicamento é feita via plano de saúde. Quando estiver incluído, [o uso] vai depender da prescri√ß√£o do médico.”

Fonte: Banda B

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